Março/18

discriminação racial na música

discriminação racial na música

Há anos que a cultura afro resiste, em meio a tempos turbulentos de constante discriminação. Desde o período em que foi sequestrada do seu continente natal, trazida em navios negreiros junto com a bagagem de pessoas escravizadas, até os dias de hoje. A discriminação está em toda parte: escrita na história e estampada na capa dos jornais atuais, cada vez mais especializados em notícias tristes. Ela é o reflexo de acontecimentos passados e o retrato de acontecimentos presentes.

O samba já foi crime. A capoeira também. Nos tempos do Império, no Brasil, essas atividades eram consideradas “vadiagem”, características de quem não trabalha e merece punição por isso. Na verdade, eram e são práticas da cultura afro que, simplesmente por isso, geravam um desconforto no status quo cultural elitizado e branco da época. Hoje, é impensável pensar a música brasileira sem o samba, sem sua riqueza e influência, assim como a capoeira, que se tornou raiz de nossa carga artística e cultural.
Nos Estados Unidos, os escravos podiam até ser forçados a trabalhar, mas isso não era capaz de silenciar a música que traziam da sua ancestralidade. Mesmo nos momentos de sofrimento, lá estava o “blues”, gênero musical que dispensa explicações, cuja tradução quer dizer “sentimento de melancolia, tristeza e depressão”. Afinal, eram essas as emoções sentidas por aqueles que o entoavam, e também por aqueles que o ouviam.

A sociedade vive em dívida com a cultura afro. Mas ela resiste, e isso é o que torna a nossa arte mais completa. A arte, como a música, é tão rica quanto a diversidade cultural que existe. Ela é fruto disso. Valorizar e exaltar as diferenças, portanto, é o mínimo que se pode esperar em um mundo cuja diversidade é o próprio motor.