Agosto/18

cordas entrevista: pedro amaral

cordas entrevista: pedro amaral

Na 3ª edição do projeto Cordas Entrevista, o entrevistado é Pedro Amaral, professor de Cavaquinho, Violão 7 Cordas e Composição Musical!

1. Como chegou até o cavaquinho, e porque te interessou por ele? Também já fizeste composição. Nos explique um pouco a tua trajetória.

Pedro - Eu comecei a tocar cavaquinho por mais de um motivo. O primeiro motivo é que eu escutei um disco de samba. E ele tinha uma levada, que para minha época, era muito "swingada", uma coisa que me envolvia bastante e me levou para o instrumento. E outra coisa muito importante é que na minha rua eu tinha amigos próximos, vizinhos, que tocavam cavaquinho ou estavam aprendendo a tocar. Então sempre tinha aquele clima de tocar o cavaquinho, um aprendia um samba e ensinava para o outro, ou fazia uma rodinha de samba, do jeito que podíamos fazer, e foi assim.

Depois, fui estudar com o professor Luiz Machado, que é um grande professor de instrumentos de cordas dedilhadas, mestre de choro absoluto, já formou músicos maravilhosos, e alguns deles já nem estão em Porto Alegre, foram ao mundo. Então eu estudei com ele, e ele me ensinou e consolidou o meu aprendizado do cavaquinho. Me ensinou harmonia, os diversos tipos de levadas, no choro, no samba, nas valsas, nas serestas. Ele me ensinou muita coisa, dentre elas também me ensinou a tocar violão. Então aprendi com ele, aprendi na rua e no Youtube, todas estas questões das levadas e harmonias do samba.

E me interessando pelo choro comecei a me aproximar de músicas de violonistas como o Raphael Rabelo, do violão solo, e o violão solo me levou para a música clássica, sem nunca deixar de lado a música brasileira, do choro, da música instrumental brasileira, os compositores e instrumentistas.

Levando estes dois universos, da música popular e clássica, fui complementando a minha formação até chegar na Faculdade de Composição. Nesta época, eu estava muito fissurado no repertório canônico da música clássica: Mozart, Bach, Beethoven. Mas sempre tentando atrelar algo à música brasileira, e uma das coisas que continuam me encantando são as levadas, que hoje são meu material criativo de trabalho, como meio composicional. Eu trabalho com essas levadas de uma forma mais livre.
2. A levada e harmonização que o cavaquinho te proporciona é diferente dos outros instrumentos de música popular?

Não tem como ser diferente. O violão e o cavaquinho na mesma música vão tocar a mesma harmonia. Com o violão, tem as inversões, que possibilita tocar os mesmos acordes de maneiras diferentes. O cavaquinho tem um pouco isso, mas é mais limitado, não tem como ficar escolhendo a inversão que vai tocar. E isto também varia de acordo com o estilo. Vão existir aqueles que utilizam uma harmonia mais tradicional, mais tranquila, mais padrão. É difícil definir isto sem trazer algum preconceito musical nas minhas palavras, mas é uma harmonia tradicional, da música tradicional brasileira. E o estilo que o cavaquinho toca, que é o choro, que é o samba, que já tem uma tradição, tu não vai sair usando um monte de acordes, com tensões nos acordes.

O cavaquinho é um instrumento de base rítmico-harmônica, ou seja, no cavaquinho tu tens ritmo e harmonia. Não que em outros instrumentos tu também não tenha esta característica, mas no cavaquinho isto é de grande destaque.

3. Os instrumentos como o cavaquinho e o violão, então, são grandes focos da música popular brasileira? Eles representam a nossa cultura até mesmo fora das nossas regiões?

Sim, o cavaquinho e o violão 7 cordas são instrumentos muito brasileiros, de um jeito de se tocar que é muito brasileiro. Claro, de repente na Europa alguém está tocando de outro jeito. Eu sei, por exemplo, que existe uma tradição do violão 7 cordas na Rússia, mas o cavaquinho e o violão 7 cordas tiveram instrumentistas brasileiros que definiram de maneira tão marcante sua forma de tocar como: Dino 7 Cordas, Canhoto, Valdir Azevedo, até instrumentistas contemporâneos, que mantém este tipo de tocar. Então essa levada, com este tipo de harmonia que temos é o que define o cavaquinho brasileiro. Claro, se alguém pegar nos Estados Unidos um cavaquinho para tocar na harmonia deles e na levada deles um folk, quem sabe o cavaquinho então também seja um instrumento de música Folk Norte Americano. Mas no Brasil o cavaquinho é sinônimo de choro e de samba.