Novembro/18

cordas entrevista: paulinho supekovia

cordas entrevista: paulinho supekovia

No Dia do Músico, o projeto Cordas Entrevista decidiu conversar com o guitarrista, compositor e professor da Escola de Música Cordas & Cordas, Paulinho Supekovia. Para todos os estudantes de música, músicos ou aspirantes nessa área, vale a pena conferir este bate-papo.

1. Quando é que a gente começa a se entender como músico, dentro dessa profissão, e como que isso aconteceu contigo?

Feliz Dia do Músico! No meu caso, foi em uma apresentação na FAMECOS, junto com o André Gomes. A gente tinha um grupo de violão, de música instrumental, e o violão tremia na minha perna, enquanto eu pensava “como é que eu vou tocar?”. Nesse momento, um técnico de som me disse “não te mexe” - e eu tremendo. Ele colocou o microfone para captar o som do instrumento, pediu para eu tocar, e veio aquele som do acorde das caixas, preenchendo toda a sala. Ali eu pensei, sou músico. Aquilo me assentou, me deu uma certeza do que eu queria.

2. Hoje você é professor, performer, arranjador, compositor... Como foi se inserir nesses lugares da música?

Bem, além deste momento de me tornar músico, uma coisa que me motivou muito foi a guitarra, os solos, que me motivaram a seguir nesse caminho. E com a experiência, ao longo dos anos, eu tinha uma banda chamada Cheiro de Vida. A gente se reunia de segunda a segunda, todas as tardes - época boa essa -, e ficávamos tocando. Quem compunha mais era eu e o André. Nós ficávamos improvisando e começamos a criar as músicas. A partir disso, começou essa veia de compositor... sempre tive facilidade. E com o grupo todo tinha o arranjo, daí essa outra parte. Um outro aspecto que a gente não conversou é o de produtor musical. Eu sempre quis fazer e nunca tinha tido a oportunidade, até que surgiu a banda Of The Wall, uma banda de Surf Music. Fazendo um paralelo com o futebol, me senti como o técnico, que vê tudo de fora. Você não está participando, mas organizando, dando uma visão mais detalhada de todo o processo, desde o início da composição, a intenção da música, até a finalização dela em estúdio.

4. E qual era diferença entre tocar na tua banda e ser o "técnico" em outra?
Completamente diferente. A gente tem vários papéis. Por exemplo, o que é ser músico? Tem vários aspectos. Um cantor é músico, mas ele tem uma postura um pouco diferente de quem está em outra função, no fundo, o baterista, acompanhando. Ele enxerga a música de outra forma, ele se relaciona com a música de outra forma. Então, quando eu fui produtor eu consegui ver todos os quadros, do baterista até o cantor, e a intenção do compositor. O produtor dá uma visão global, mas é muito trabalhoso. Começa às 19h da noite a pensar o que vai fazer no outro dia, e às 7h da manhã está de pé. No estúdio, é o primeiro a chegar e o último a sair.

5. Se você pudesse dar um recado para quem quer se tornar músico, ou já é músico, ou está iniciando na carreira, qual seria?

Da época em que eu comecei, as coisas estão muito diferentes hoje em dia. O que eu comentaria, por experiência própria, é uma questão de disciplina, pelo estudo, por saber qual a tua proposta, o que tu quer. Porque o artista pode ter o objetivo de ser famoso, é complicado hoje em dia, e outra coisa é ter o objetivo de fazer um bom trabalho, que se o trabalho for bem feito, com certeza ele vai dar frutos, mas não é imediato, tem um processo. Com a banda Cheiro de Vida, a gente fez um sucesso bem grande dentro do patamar da música instrumental, mas três anos só de ensaio, até a gente se sentir pronto para se apresentar e conseguir segurar. Porque a gente pensa “eu quero ter sucesso”, mas e pra manter esse sucesso? Não é uma coisa muito simples. Não digo que não aconteçam casos em que dá certo de primeira, mas são raríssimos.

6. E sobre a relação que se constrói com as pessoas, dentro da música?

Existiam, na nossa época, vários tipos de música. A MPG (Música Popular Gaúcha), bandas de rock, instrumental, e todos indo nos shows de todos. Então, a gente acaba criando um grupo que faz uma frente cultural, em várias direções. Isso facilita com que os trabalhos sigam adiante, porque existe uma união.

Para conferir o vídeo com a entrevista completa, acesse a página da Cordas & Cordas no Facebook.